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sexta-feira, 29 de abril de 2011

'Redesenhar o Futuro' das nossas Freguesias

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Qual será o futuro das nossas freguesias a médio-longo prazo? 

Esta é uma questão que se coloca seriamente às novas gerações! Se a desertificação das nossas aldeias é uma constatação generalizada, então, como inverter este processo?

Apresento-vos em seguida um vídeo muito interessante sobre a competitividade dos meios rurais e a necessidade de potenciar o empreendedorismo como um dos caminhos possíveis à fixação das novas gerações nas nossas aldeias, tendo como objectivo a sustentabilidade rural e o aumento da qualidade de vida das populações.

terça-feira, 29 de março de 2011

Geração à Rasca - A Nossa Culpa | Mia Couto

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Através de um email da nossa colaboradora Sandra Mendes tomei conhecimento deste texto de Mia Couto que reflecte bem o nosso tempo.‏



Geração à Rasca - A Nossa Culpa | Mia Couto

Um dia, isto tinha de acontecer.
Existe uma geração à rasca?
Existe mais do que uma! Certamente!
Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhe as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.
Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos)vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.

Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego,... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.

Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.

São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!

A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.

Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.

Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.

Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.

E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!

Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.
Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.
Haverá mais triste prova do nosso falhanço?

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

E assim vai a nossa educação!!

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A Escola do Freixo, em Ponte de Lima, foi o palco escolhido por José Sócrates, na passada quarta-feira, para mais uma acção de promoção dos computadores da JP Sá Couto para o 1.º ciclo. Sócrates chamou os jornalistas e distribuiu os Magalhães pelas crianças. Mas, terminada a cerimónia oficial, os portáteis tiveram de ser devolvidos.

Contactado pelo SOL, o conselho executivo da Escola do Freixo explicou que as crianças não puderam ficar com os computadores, «porque há questões administrativas a tratar».

A mesma fonte – que não se quis identificar – assegura que os Magalhães «estão na escola», mas explica que isso não significa que os alunos do Freixo vão receber os portáteis mais depressa do que as crianças de outros estabelecimentos de ensino.
«Não sabemos quando é que os computadores vão ser distribuídos», admitiu, acrescentando que a entrega «depende da logística administrativa».

Antes da entrega real dos equipamentos, a escola vai ter de «preencher toda a papelada e os pais que não estiverem abrangidos pelo 1.º escalão da acção social escolar vão ter de fazer o pagamento do computador». Um processo que a escola admite desconhecer quanto tempo poderá demorar.

Fica também por esclarecer se os Magalhães que Sócrates já deixou na escola serão suficientes para todas as crianças. A Escola do Freixo tem 185 alunos inscritos no 1.º ciclo, mas o conselho executivo diz não saber quantos portáteis foram entregues na cerimónia que contou com a presença do primeiro-ministro. «Não sei quantos computadores cá ficaram», disse ao SOL um elemento do conselho executivo.

Ao que o SOL apurou, foi explicado a alguns alunos que os computadores tinham de ser devolvidos no final da visita de Sócrates por terem problemas nas baterias. No entanto, o conselho executivo da Escola do Freixo garante que «as crianças sabiam» que não iam ficar com os Magalhães naquele dia, porque lhes «foi explicado que era preciso realizar alguns procedimentos administrativos».

sábado, 3 de novembro de 2007

Adaptação da população à Sociedade da Informação

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A conferência “eLearning Lisboa 2007” reuniu em Lisboa mais de 1500 congressistas e 84 oradores nacionais e internacionais, no maior evento realizado sobre o tema em Portugal.

Carlos Zorrinho, presidente da conferência e coordenador nacional da estratégia de Lisboa e do Plano Tecnológico, sublinhou a importância do conhecimento em permanente actualização que a nova sociedade exige, afirmando que «no século XXI aprender tem de ser tão natural como respirar. Respiramos porque vivemos num ambiente rico em oxigénio, temos de ter um ambiente rico em conhecimento».

Os quatro grandes desafios obtidos nas várias sessões de trabalho são:

  • como podemos antecipar as necessidades da Sociedade do Conhecimento e preparamo-nos para agir;
  • como podem as organizações tradicionais transformar-se em espaços inovadores de aprendizagem;
  • como podem os cidadãos potenciar o seu capital humano;
  • como podemos garantir o acesso de todos à tecnologia, porque é através do conhecimento que nos tornamos mais competitivos.


Fontes de Informação:


Perante o apelo contínuo à formação, inovação, renovação de competências, domínio das TIC, entre outros conceitos, que agora se encontram muito em voga na Agenda Europeia (só para terem uma ideia - entre 2007 e 2013 vão chegar Portugal quase mil milhões de euros por ano para a formação profissional). Questiono-me quanto às seguintes questões:

  • Como é que vão ser distribuidos esses fundos?
  • Será que o modelo de formação a adoptar passa pela continuidade do actual (estamos a oferecer diplomas da 4ª Classe, do 6º Ano... como se fosse um concurso da farinha maizena - ligou e ganhou um canudo!). Realmente, esta é a forma mais fácil de nos aproximarmos estatisticamente da média europeia, contudo, será que as pessoas adquiriram algum conhecimento?
  • Como é que podemos, de uma forma efectiva, motivar a população a adquirir novas competências no âmbito das TIC? Será que dar formação à população chega por si só? Será o eLearning viável para a realidade das nossas freguesias?
  • Qual o papel da câmara municipal e das respectivas juntas de freguesia?

Na minha opinião, o sucesso para a mudança passa pelo papel destinado à administração local junto da população. Deve-se começar a discutir as mudanças sociais que já se vislumbram na sociedade limiana. A digitalização dos serviços (quer da câmara municipal, quer das empresas, serviços públicos, etc.) requer da população competências e meios que não dispõem neste momento - apenas uma pequena percentagem é que os possuem. Como tal, é necessário tomar medidas claras e objectivas para preparar esta adaptação da população às necessidades impostas pela Sociedade da Informação, correndo o risco de haver uma grande parte da população info-excluída e info-iliterada.

A informação é acessível a todos (ou quase, se exceptuarmos as ditaduras) mas o conhecimento só pertence a alguns, os únicos que têm condições para vencer. E o processo de transformação da informação em conhecimento está limitado ao trabalho mental do homem e da mulher. Não há máquina que realize esta transformação, como quem transforma algodão em tecido nos teares da revolução industrial. In. Os fundos da UE