quinta-feira, 6 de novembro de 2008

4,5 quilómetros a pé no regresso da escola

Assunto(s): , ,

Cerca de 15 crianças das freguesias montanhosas de Calheiros e Vilar do Monte, em Ponte de Lima têm de percorrer cerca de 4,5 quilómetros para regressar a casa depois da escola em determinados dias.

A situação não é nova, mas agravou-se no presente ano lectivo. Alguns alunos da C+S de Arcozelo, que residem em Calheiros e Vilar do Monte, têm, se quiserem regressar a casa após as aulas, nos dias em que têm tarde livre, de subir a montanha, porque a rede de transportes do concelho não dá resposta às necessidades.

Catarina Taveira, 11 anos, e Marina Alexandra, 13 anos, ambas do lugar de Arcela, Calheiros, e Carolina Cunha, 11 anos, de Vilar do Monte, trazem nas pernas muitos quilómetros, desde que há cerca de dois meses começou a escola. A camioneta que, segundo a Câmara de Ponte de Lima, deveria efectuar o percurso até à zona onde moram, está a apeá-las junto ao campo de futebol de Calheiros, e a partir dali as alunas do 6º ano, têm de "dar corda aos sapatos". "Se formos rápido chegamos a casa em 45 minutos, mas é muito cansativo", diz Marina, explicando que, em vez da estrada em alcatrão que liga à aldeia onde moram, as raparigas "atalham por um caminho de terra batida porque é mais perto".

Faça chuva ou faça sol, às quartas e sextas-feiras, quanto só têm aulas de manhã, a situação repete-se, e, já tem acontecido, algumas peripécias. "Uma vez íamos por aí acima e vimos um touro e tivemos de fugir a correr", conta a aluna. O caso, que é do conhecimento do Conselho Executivo da escola e da Câmara tem levado a Associação de Pais, presidida por Vitor Rocha, a protestar insistentemente. "O autocarro chega ao campo da bola, dá a volta e vai para trás, deixando os passageiros a meio do percurso.

A empresa diz que fazer o percurso não é rentável, mas às segundas-feiras, em dia de feira percorre-o na totalidade, porque vai a abarrotar", queixa-se o responsável, lembrando que os alunos são portadores de um passe pago pela autarquia e por isso "têm direito a ser levados a casa".

O vereador da Educação da Câmara, Franclim Sousa, argumenta que há "incumprimento" por parte da empresa, que "em princípio, deveria efectuar o percurso completo até Vilar do Monte". "O Instituto de Mobilidade dos Transportes Terrestres já tem conhecimento desta situação e é a entidade que deve agir", defende, lembrando que "a escola também tem de dar respostas a estas crianças", ocupando-as até ao horário do próximo transporte.

O presidente do Conselho Executivo, Manuel Amorim, alega que "a escola está aberta até às 18.30 horas e, por isso, os alunos não tendo aulas à tarde, podem almoçar cá, e usar a biblioteca e outros recursos, o que iria melhorar o seu desempenho", conclui.

Fonte: Jornal de Notícias - 6/11/2008

1 comentários:

Carlos disse...

Depois de ler esta notícia só posso concordar com os comentários do outro texto que apontam a necessidade de mudar os protagonistas políticos